Outubro 17

FORA DA MODA

A nossa sociedade da abundância deixou de saber comer. Isso me parece evidente. E temos em oposição padrões de beleza escanzelados, quando a norma é o excesso de peso, da mesma maneira que há uns séculos atrás, quando a norma era os esfaimados, os pintores retratavam madonnas roliças. A gordura não é formosura. E é demasiado perigoso para não ser levada a sério. Mas, no extremo oposto, ver modelos a morrerem esfaimadas porque a moda lhes diz que assim é que são bonitas também não me parece saudável. É todo um mundo de excessos: vai de um lado ao outro da escala e parece-me ser as duas faces de uma mesma moeda de desordens alimentares e desequilíbrios profundos que só fazem sentido numa sociedade que tem demais.

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